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terça-feira, 17 de março de 2026

Curador de significados

Não meu satisfaço com o "bonitinho" ou com o "raso". Não vejo o mundo apenas como um amontoado de objetos, cores e animais; é um tecido denso de significados esperando para serem destrinchados.

Muitos me perguntam por que pergunto tanto, por que quero saber a etimologia de uma cor como o ocre, a genética de um olhar âmbar ou a história por trás de um tom de ferrugem. A resposta é simples:

Eu exerço uma curadoria do olhar.

Eu não sou artista. Porém, no mundo das artes, o curador não é um curandeiro; ele é aquele que cuida (do latim curare). Ele seleciona, organiza e dá sentido ao que, para outros, parece aleatório.

Eu não curo males do corpo, mas combato a cegueira da alma que olha e não vê. Eu preciso separar o ruído da mensagem; destrinchar a técnica para revelar a intenção; zelar para que o significado de uma imagem não se perca na rolagem infinita das telas, onde tudo passa e nada fica.

Se eu sempre pergunto o "porquê" de cada detalhe, é porque estou cuidando da história que aquela imagem merece contar. Sou um curador de significados. Busco a essência, esmiuço o conceito e entrego a verdade — nua, crua e devidamente interpretada.

17 de Março de 2026.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Guarda-chuva


Eu não resisto, sempre que vejo um guarda-chuva, preciso fotografá-lo. Muitas vezes ele é o teto de alguém, protegendo, sendo útil; Mas eu o prefiro assim, aberto no chão, sozinho. Não resisto a essa presença silenciosa. Por que será? Talvez porque, quando largado num canto, ele deixe de ser apenas um objeto útil e passe a ter uma história própria.

Eu o acho mais bonito assim, nesse "abandono". Será que a beleza que me atrai mora naquilo que sobra depois da chuva? Não sei explicar o porquê, e talvez a verdade seja que eu nunca saberei. É uma atração que não passa pela lógica, apenas pelo sentir.

Ali no chão, molhado e sem ninguém por perto, ele é mais do que um sinal de chuva recente. É a imagem pura de algo que serviu, que cumpriu sua missão de proteger, e agora está ali, exausto, apenas secando à espera de uma nova oportunidade de ser abrigo.

14 de Fevereiro de 2026.