Não meu satisfaço com o "bonitinho" ou com o "raso". Não vejo o mundo apenas como um amontoado de objetos, cores e animais; é um tecido denso de significados esperando para serem destrinchados.
Muitos me perguntam por que pergunto tanto, por que quero
saber a etimologia de uma cor como o ocre, a genética de um olhar âmbar
ou a história por trás de um tom de ferrugem. A resposta é simples:
Eu exerço uma curadoria do olhar.
Eu não sou artista. Porém, no mundo das artes, o curador não
é um curandeiro; ele é aquele que cuida (do latim curare). Ele
seleciona, organiza e dá sentido ao que, para outros, parece aleatório.
Eu não curo males do corpo,
mas combato a cegueira da alma que olha e não vê. Eu preciso separar o
ruído da mensagem; destrinchar a técnica para revelar a intenção; zelar
para que o significado de uma imagem não se perca na rolagem infinita das
telas, onde tudo passa e nada fica.
Se eu sempre pergunto o "porquê" de cada detalhe, é
porque estou cuidando da história que aquela imagem merece contar. Sou um
curador de significados. Busco a essência, esmiuço o conceito e entrego a
verdade — nua, crua e devidamente interpretada.
17 de Março de 2026.