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terça-feira, 17 de março de 2026

Curador de significados

Não meu satisfaço com o "bonitinho" ou com o "raso". Não vejo o mundo apenas como um amontoado de objetos, cores e animais; é um tecido denso de significados esperando para serem destrinchados.

Muitos me perguntam por que pergunto tanto, por que quero saber a etimologia de uma cor como o ocre, a genética de um olhar âmbar ou a história por trás de um tom de ferrugem. A resposta é simples:

Eu exerço uma curadoria do olhar.

Eu não sou artista. Porém, no mundo das artes, o curador não é um curandeiro; ele é aquele que cuida (do latim curare). Ele seleciona, organiza e dá sentido ao que, para outros, parece aleatório.

Eu não curo males do corpo, mas combato a cegueira da alma que olha e não vê. Eu preciso separar o ruído da mensagem; destrinchar a técnica para revelar a intenção; zelar para que o significado de uma imagem não se perca na rolagem infinita das telas, onde tudo passa e nada fica.

Se eu sempre pergunto o "porquê" de cada detalhe, é porque estou cuidando da história que aquela imagem merece contar. Sou um curador de significados. Busco a essência, esmiuço o conceito e entrego a verdade — nua, crua e devidamente interpretada.

17 de Março de 2026.

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