
No dia do meu batizado, eu tinha uns cinco anos, vestido com
roupa nova e especial para a ocasião, rolei por um barranco por três vezes. Na
ansiedade de ter meus vizinhos na festa, ia convidá-los, ou melhor,
apressá-los. No caminho de volta, faltava coordenação para descer com calma e
cuidado, então, eu rolava. Fui quatro vezes, rolei três. Não me machuquei
(eu acho), mas, a minha mãe me perguntava sobre a roupa suja e amassada, sobre
a terra no cabelo etc. Na última vez, mais envergonhado do que com medo, mudei
a estratégia, deixei de lado a pressa, aumentei o cuidado e desci, sem rolar.
Aprendi que o problema não era o barranco, era eu.
O legal de escrever um blog é que começamos olhar para dentro
de nós mesmos. É a única forma de conseguirmos encontrar assuntos para
escrever. E olhando para dentro percebemos que tudo o que acontece de bom ou
ruim, principalmente o ruim, é causado por nós mesmos.
De alguma forma nossas
escolhas geram as consequências ruins.
E eu não culpo mais ninguém. Evito, de todas as formas, falar
mal do próximo, porque, na verdade, a realidade é um espelho. O que vemos de
mal no outro, é o que carregamos na alma. Enxergamos nosso reflexo e,
geralmente, ele é feio.
Culpar o outro é a melhor forma de deixar as coisas como
estão, afinal, é o outro. O que eu posso fazer? Reclamar, falar mal, jogar pedras.
Porém, como num espelho, as reclamações, os xingamentos e as pedradas se voltam
contra mim. Reação.
O lado bom é que, entendendo ser eu a causa, posso mudar
minhas atitudes. Se eu quero o mundo mais bonito, eu preciso ser bonito. Se eu
quero limpeza, tenho de ser limpo. Se eu quero justiça, tenho de ser justo.
28 de Junho de 2015.